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Morreu o antigo rei do Camboja

15.10.12, Blog Real

Norodom Sihanouk foi uma das mais importantes figuras da política asiática na segunda metade do século XXO antigo rei do Camboja, Norodom Sihanouk, morreu na madrugada desta segunda-feira em Pequim, aos 89 anos, com um ataque cardíaco. Ficará para a história como o homem que conseguiu que o país permanecesse unido, depois de décadas de guerra.

“A sua morte foi uma grande perda para o Cambodja. O rei Sihanouk não pertencia à sua família, pertencia ao Camboja e à história”, reagiu o príncipe Sisowath Thomico, seu assistente pessoal. Morreu pouco depois de ser levado para o hospital.

O corpo será transportado para a capital cambojana para o funeral, que terá lugar no palácio real. Ao início do dia, o rei Sihamonim, seu filho, que lhe sucedeu em 2004, e o primeiro-ministro Hun Sem viajaram de Phnom Penh para Pequim. Foi aí que Sihanouk passou grande parte dos últimos meses, no tratamento de um cancro. Sofria também de diabetes e hipertensão.

No ano passado, na comemoração dos 20 anos do regresso do exílio, prometera nunca mais abandonar o Camboja, mas em Janeiro as precárias condições de saúde obrigaram-no a viajar para Pequim. “Esta vida tão longa pesa-me, com um peso insuportável”, escrevera ele em 2009.

O reinado de Sihanouk foi dos mais longos das monarquias asiáticas, apesar dos períodos em que esteve exilado e de ter abdicado do trono em 2004, a favor do filho Sihamonim, antigo bailarino. Foi coroado em 1941 pelo regime de Vichy, nos tempos em que o Camboja era ainda uma colónia francesa, na crença de que seria facilmente manipulável. Acabaria por se tornar no primeiro rei do Camboja independente, em 1953.

Casou-se seis vezes, teve 14 filhos. Cinco deles morreram às mãos do regime Khmer Vermelho, de Pol Pot, responsável pela morte de 1,7 milhões de pessoas em quatro anos. O mesmo regime que ele próprio apoiou inicialmente.

Ao longo dos anos foi criticado por isso, pela imprevisibilidade, acusado de autoritarismo e elitismo também. Mas foi ao mesmo tempo uma figura conciliadora num país que atravessou décadas de violência e de guerra.

Apesar de um percurso mais que tumultuoso, o historiador australiano Milton Osborne disse à AFP estar certo de que Sihanouk ficará conhecido como “um grande dirigente” e que “os momentos mais difíceis” serão esquecidos. “Todos os cambojanos são perversos, e isso incluiu-me a mim”, disse um dia Sihanouk.

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